Artigo - Edileide Souza Castro
LIMITES E AFETIVIDADE
“As crianças e os adolescentes de hoje estão sem limites e agressivos.”  Esta afirmativa tem sido bastante utilizada por educadores nas escolas e dentro do ambiente familiar e  traz junto um questionamento: O que fazer? Se olharmos de forma superficial a impressão que temos é que esta situação vivenciada pelas crianças e adolescentes é algo que foge ao controle dos adultos: um equívoco! Desde que há registros da humanidade, as crianças buscam formas de burlar as regras sociais pela satisfação pessoal e precisam ser orientadas, educadas continuamente pelos adultos que as rodeiam.  A educação, em todas as suas dimensões denotam ação, não passividade. As crianças e adolescentes têm “um mundo de influências” conduzindo-as para os mais diversos caminhos, mas, cabe aos adultos (pais, seguido dos professores), a função de alicerçar as ações para a formação das crianças e adolescentes desta geração. Ficar reclamando, lamentando, sem tomar atitude de mudança afim de redirecioná-los para novas posturas, confirma a inércia dos adultos. Para educar é preciso agir, estabelecendo limites de forma afetiviva. Quantos professores reclamam do comportamento dos seus alunos e continuam com as mesmas aulas, as mesmas “falas”, as mesmas reclamações e nenhuma atitude que possibilite uma resposta positiva por parte dos seus alunos? Qual pai ou mãe não sabe que é muito importante parar e dar atenção ao seu pequeno filho ou que o diálogo e a amizade familiar são o melhor antídoto contra as drogas, prostituição e outros males? Qual professor não sabe que uma boa conversa em particular funciona bem melhor do que um discurso ou uma exposição pública de um aluno que cometeu algum erro?  “Sabemos” mais do que fazemos. E só “saber” não funciona, é necessário agir. Precisamos entender as nossas motivações, as nossas emoções e decidir colocar em prática atitudes que levem a transformações verdadeiras. Partimos então da ideia de que se os alunos e os filhos estão sem limites ou desajustados afetivamente, os adultos que os rodeiam precisam mudar suas posturas, afim de serem influências positivas: “eu só posso dar o que tenho”.  Pais responsabilizam as escolas pela educação dos seus filhos e as escolas, em muitos casos, sentem-se incapazes de intervir em tantos conflitos emocionais, pois há necessidades que jamais serão supridas dentro de um ambiente escolar. Os pais não podem e nem devem fugir desta realidade: os filhos necessitam da segurança de amor, de aceitação e de valorização dos pais. Por outro lado, a escola precisa parar de só reclamar a ausência dos pais e fazer a sua parte. Professores têm grande influência, negativa ou positiva, na vida dos seus alunos, mas o professor só pode oferecer a seus alunos o equilíbrio que existe nele, por isso a importância de trabalhar as emoções do professor.  O grande desafio hoje é achar o equilíbrio entre exercer autoridade sem ser autoritário, é saber estabelecer os limites necessários de forma afetiva, valorizando o ser humano, trabalhando a autoestima. É  normal para a criança querer romper os limites, avançar. Cabe ao adulto, não apenas dizer o que não deve ser feito, mas o quê e como fazer. O que geralmente observamos nos lares, nas escolas ou simplesmente nas ruas, são adultos que não estão dispostos a pagar o preço de dar limites aos seus pequeninos. Não se dá limites porque é fácil, e sim, porque são essenciais. Junto com o limite dado pelo adulto, a criança cria um senso de satisfação. Quando a criança tem todos os seus desejos satisfeitos, ela continua com a ideia inicial de “onipotência” e isto gera um alto grau de insatisfação. Apesar de terem tudo, esses meninos estão sempre mal-humorados, insatisfeitos, como “pequenos tiranos”. Estabelecer limites é oferecer à criança ou ao adolescente os extremos, a fronteira  até onde ela pode ir. Determinar esta fronteira é dever, inicialmente, dos pais e posteriormente, também dos educadores na escola. Quando estes limites são estabelecidos, a criança ou adolescente pode vir a achar ruim, ficar de cara feia, mas fique tranquilo: está tudo certo. Eles reagem e junto com esta reação há um aprendizado para o resto da vida: aprender a lidar com a frustração; o que é necessário e saudável.  Ao estabelecer limites, alguns alunos deverão ser acompanhados e para isto lembre-se:- Seja coerente: o que é certo não é circunstancial;- Demonstre compaixão e amor: o amor deve dominar as atitudes dos educadores quando corrigem, a raiva manifesta deve ser controlada; - Tenha expectativas ou regras claras: o aluno deve saber exatamente as regras e limites acerca da vida coletiva e da convivência;- Seja relevante: as atitudes devem ter graus de relevância e formas diferentes de ser tratadas;- Evidencie o perdão: quando um aluno admite um erro, não deve receber de volta a lista de seus erros anteriores; trate uma questão de cada vez; evite ser rancoroso;- Tenha firmeza: nunca devemos desistir de nossos alunos ou pensar que não há esperança para eles. Seu comportamento não deve afetar o nosso amor por eles: as ações de disciplina devem ser firmes e acompanhadas de amor. Tratar de um comportamento negativo leva tempo, pois não é apenas dar uma bronca é tratar o coração e isso exige tempo. Os professores que deixam acumular questões e as querem tratar todas de uma vez, enfrentam muitas dificuldades.  

A afetividade positiva é a base da ação para estabelecer limites. Paulo Freire dizia há muitos anos que “ não se pode falar em educação sem amor.” Sem amor não há como disciplinar, ser exemplo, guiar, andar junto, enfim educar. Cada educador deve pensar que ao passar pela vida de um aluno precisa marcar positivamente. Parafraseando Madre Tereza de Calcutá: “Não permita passar pela vida de um aluno sem torná-lo melhor.” Este é um desafio diário, que exige de nós, educadores, uma postura de amor a vida e ao ser humano que somos e que educamos. A cada novo dia temos a chance de fazer a diferença na vida dos nossos filhos e  alunos. Que Deus nos ilumine sempre!

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